A expansão da produção de etanol de milho no Brasil está movimentando também um mercado diretamente ligado à indústria de base florestal: o fornecimento de madeira para geração de energia nas usinas. A biomassa é utilizada nas caldeiras para produzir calor e vapor necessários ao processo industrial, e o eucalipto aparece como uma das principais fontes para esse abastecimento.

Segundo dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a produção de etanol de milho e de outras biomassas chegou a 9,45 bilhões de litros em 2025, correspondendo a 24,7% de todo o etanol produzido no país naquele ano. Para a safra 2026/27, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que a produção de etanol de milho alcance 11,91 bilhões de litros, crescimento de 17% em relação à temporada anterior.

As projeções para os próximos anos indicam uma expansão ainda maior. De acordo com estudo da Consultoria Agro do Itaú BBA, a capacidade instalada brasileira de produção de etanol de milho deve passar de 10,9 bilhões de litros em 2025 para 25,3 bilhões de litros em 2030. Em Mato Grosso, principal polo da atividade, a capacidade deve avançar de 6,9 bilhões para aproximadamente 11,9 bilhões de litros no mesmo período.

Esse crescimento tem uma consequência direta sobre a demanda por biomassa. O Itaú BBA estima que, considerando uma capacidade próxima de 12 bilhões de litros de etanol de milho em Mato Grosso em 2030, seriam necessários aproximadamente 383 mil hectares de florestas de eucalipto para atender à demanda energética das usinas. A área atualmente estimada no estado é de cerca de 165 mil hectares, o que representa uma necessidade potencial de 218 mil hectares adicionais de florestas energéticas. Os investimentos para formar essas áreas são estimados entre R$ 7,6 bilhões e R$ 14,3 bilhões, dependendo da eficiência das plantas industriais.

A dimensão da demanda também aparece nas projeções da EPE para 2035. Em estudo sobre os cenários de oferta de etanol, a empresa estimou a necessidade de biomassa para atender à produção projetada de etanol de milho. Considerando exclusivamente lenha proveniente de eucalipto, o consumo anual chegaria a 12,2 milhões de toneladas no cenário de menor produção; 12,9 milhões de toneladas no cenário intermediário; e 19,4 milhões de toneladas no cenário de maior produção, associado a volumes de 15,3 bilhões, 16,2 bilhões e 24,4 bilhões de litros de etanol, respectivamente.

Após a visita do líder chinês aos Estados Unidos no fim de setembro, alguns acordos importantes para o comércio internacional foram tratados. Os dois países concordaram em reduzir tarifas sobre cerca de US$ 30 bilhões em mercadorias, em mais uma tentativa de diminuir as tensões comerciais entre as duas maiores economias do mundo.

Madeira em tora e produtos de madeira estão entre alguns itens listados pela China, que incluem outros itens agrícolas, cosméticos e determinados equipamentos médicos. Os Estados Unidos, por sua vez, reduzirão tarifas sobre produtos chineses como pequenos eletrodomésticos, brinquedos, artigos de decoração e cadeirinhas infantis para automóveis.

Outro ponto do acordo é a criação de mecanismos de diálogo sobre inteligência artificial, com os dois países discutindo riscos e possíveis formas de cooperação relacionados à tecnologia. Washington e Pequim também concordaram em manter as negociações sobre o fornecimento de terras raras e outros minerais críticos, considerados estratégicos para cadeias industriais e tecnológicas.

A Smurfit Westrock celebrou um acordo para adquirir o negócio chileno de papel para embalagens e papelão ondulado da CMPC. O valor negociado, de acordo com a Smurfit Westrock, é de US$ 420 milhões.

Em comunicado, a empresa afirmou que acredita ser um negócio altamente complementar às operações já existentes e oferece uma excelente plataforma para a continuação do crescimento ao lado dos clientes na América Latina.

Os ativos estão estrategicamente localizados próximos às principais regiões pesqueiras e agrícolas do Chile. Isto deverá complementar o atual negócio de papelão ondulado, representando para a Smurfit Westrock a oportunidade de adquirir uma das posições de liderança nos segmentos de papel para embalagens e papelão ondulado no Chile.

Uma máquina de papel da empresa, localizada em Santiago, produz aproximadamente 250 mil toneladas por ano. A ideia é que o equipamento fortaleça o sistema regional. Ela permitirá integrar papel reciclado às operações na Argentina, no Peru e no Equador, além de possibilitar o direcionamento de kraftliner do Brasil e da América do Norte aos ativos de papelão ondulado adquiridos no Chile.

Alvaro Henao, CEO da Smurfit Westrock Latam, afirmou: “Em nosso Plano de Médio Prazo anunciado anteriormente, identificamos a América Latina como uma região de crescimento e desenvolvimento, tanto por meio de investimentos internos quanto de aquisições. Estou particularmente satisfeito por termos alcançado este acordo para adquirir operações de classe mundial no Chile, juntamente com uma equipe formidável que esperamos para receber na organização Smurfit Westrock. Isso consolida firmemente a Smurfit Westrock como líder no Chile e fortalece ainda mais nossa presença regional.”

A companhia pretende financiar a transação com seus próprios recursos líquidos. A conclusão está prevista para o primeiro semestre de 2027, sujeita ao cumprimento das condições usuais de fechamento, incluindo aprovações regulatórias.