As mudanças na política comercial dos Estados Unidos e o avanço do protecionismo estão alterando a dinâmica do comércio internacional e exigindo uma nova postura de empresas e países. Essa é uma das principais conclusões apresentadas por José Pimenta, diretor de Relações Governamentais e Comércio Internacional da BMJ Consultoria e diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp, em artigo publicado na CNN Brasil.

Ele defende que a transformação da política comercial norte-americana durante o governo de Donald Trump, marcada pelo aumento de tarifas, pela proteção à indústria doméstica e pelo uso do poder de mercado como instrumento de negociação alterou a relação dos Estados Unidos com o sistema multilateral de comércio, baseado em instituições como a Organização Mundial do Comércio (OMC).

Para Pimenta, o cenário atual combina as regras multilaterais existentes com medidas unilaterais e instrumentos de segurança econômica. A estimativa do Fundo Monetário Internacional (FMI) é de aproximadamente 3 mil medidas de política industrial em vigor, sendo metade implementada por Estados Unidos, União Europeia e China. As cita as investigações comerciais conduzidas pelos Estados Unidos e seus impactos sobre o Brasil. E destaca que uma investigação baseada na Seção 301 da legislação comercial norte-americana abriu caminho para tarifas adicionais de 25% sobre parte das exportações brasileiras, com exceções para determinados setores. Outra investigação relacionada à importação de produtos associados a trabalho forçado alcançou 60 economias, incluindo o Brasil, com tarifas entre 10% e 12,5%, segundo o artigo.

O diretor de Relações Governamentais e Comércio Internacional aponta quatro frentes de atenção para o setor produtivo: acompanhar de perto as regras e preferências comerciais; fortalecer a articulação com governos e instituições; diversificar parceiros e ampliar acordos comerciais; e considerar fatores como resiliência das cadeias produtivas, tecnologia, valor agregado e segurança econômica nas estratégias de internacionalização.

José Pimenta está na programação do HDOM Summit e fará a palestra “Geopolítica e agronegócio: os desafios para o Brasil e a nova ordem internacional”, no primeiro dia do evento.

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No segundo dia do HDOM Summit, 11 de novembro, os debates começam com uma discussão sobre “Biotecnologia, OGM e produtividade”, apresentada por Rodrigo Neves Graça, head de Biotecnologia da FuturaGene. Na sequência, Thaís Martan, especialista em inteligência artificial para negócios, aborda os impactos e oportunidades da tecnologia para as empresas.

A programação prossegue com uma conversa executiva sobre o Projeto Sucuriú, apresentado por Carlos Altimiras, presidente da Arauco. O projeto é seguido pelo painel “Inovação sem fronteiras: do MIT à floresta”, que reunirá Yuri Ramos, diretor do MIT; Darlon Orlamünder de Souza, diretor de Sustentabilidade, P&D+I e Estratégia & Mercado da Klabin; e Bibiana Rubini, diretora de Inovação e Bioeconomia da CMPC.

Com temas que passam por geopolítica, mercados internacionais, competitividade, produtividade, inteligência artificial, biotecnologia e inovação, a programação foi estruturada para discutir tendências que afetam diretamente as decisões de empresas e investidores do setor florestal.

O HDOM Summit chega à sétima edição após reunir mais de 1.700 tomadores de decisão ao longo das seis primeiras edições. Em 2026, o encontro será realizado novamente no Espaço APAS, em São Paulo, nos dias 10 e 11 de novembro.

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A programação da 7ª edição do HDOM Summit – Forest Leaders & Investors Meeting, marcada para os dias 10 e 11 de novembro, no Espaço APAS, em São Paulo (SP), reunirá executivos, especialistas e representantes de grandes empresas para dois dias de debates sobre os principais movimentos que impactam a indústria e os negócios relacionados à cadeia de base florestal.

A abertura da programação, no dia 10, será conduzida por Ricardo Malinovski, CEO da Malinovski, com a palestra “HDOM Forest Outlook 2027 – O jogo mudou”. Na sequência, o painel “China em foco: competitividade e os novos desafios para o Brasil” terá a participação do diplomata Marcos Caramuru de Paiva e de Pablo Gimenez Machado, ex-vice-presidente executivo para a Ásia da Suzano, para discutir o cenário chinês e sua relação com o mercado brasileiro.

A agenda do primeiro dia também inclui a palestra “Geopolítica e agronegócio: os desafios para o Brasil e a nova ordem internacional”, com José Pimenta, colunista da CNN e diretor de Relações Governamentais e Comércio Internacional da BMJ Consultores. O programa segue com conversas executivas sobre custos, eficiência e competitividade, com Sandro Ávila, diretor florestal da Klabin, e Douglas Seibert Lazaretti, vice-presidente executivo de Operações Florestais da Suzano.

Ainda no primeiro dia, Bernardo Rosenthal Vasconcellos, diretor da ArcelorMittal BioFlorestas e Metálicos, aborda o mercado do carvão vegetal e do aço. Encerrando a programação de conteúdo, o jornalista e analista político Caio Junqueira apresenta uma análise sobre economia e mercado no cenário posterior às eleições brasileiras. A noite termina com a entrega do 4º Prêmio HDOM e um coquetel executivo.

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A expansão da produção de etanol de milho no Brasil está movimentando também um mercado diretamente ligado à indústria de base florestal: o fornecimento de madeira para geração de energia nas usinas. A biomassa é utilizada nas caldeiras para produzir calor e vapor necessários ao processo industrial, e o eucalipto aparece como uma das principais fontes para esse abastecimento.

Segundo dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a produção de etanol de milho e de outras biomassas chegou a 9,45 bilhões de litros em 2025, correspondendo a 24,7% de todo o etanol produzido no país naquele ano. Para a safra 2026/27, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que a produção de etanol de milho alcance 11,91 bilhões de litros, crescimento de 17% em relação à temporada anterior.

As projeções para os próximos anos indicam uma expansão ainda maior. De acordo com estudo da Consultoria Agro do Itaú BBA, a capacidade instalada brasileira de produção de etanol de milho deve passar de 10,9 bilhões de litros em 2025 para 25,3 bilhões de litros em 2030. Em Mato Grosso, principal polo da atividade, a capacidade deve avançar de 6,9 bilhões para aproximadamente 11,9 bilhões de litros no mesmo período.

Esse crescimento tem uma consequência direta sobre a demanda por biomassa. O Itaú BBA estima que, considerando uma capacidade próxima de 12 bilhões de litros de etanol de milho em Mato Grosso em 2030, seriam necessários aproximadamente 383 mil hectares de florestas de eucalipto para atender à demanda energética das usinas. A área atualmente estimada no estado é de cerca de 165 mil hectares, o que representa uma necessidade potencial de 218 mil hectares adicionais de florestas energéticas. Os investimentos para formar essas áreas são estimados entre R$ 7,6 bilhões e R$ 14,3 bilhões, dependendo da eficiência das plantas industriais.

A dimensão da demanda também aparece nas projeções da EPE para 2035. Em estudo sobre os cenários de oferta de etanol, a empresa estimou a necessidade de biomassa para atender à produção projetada de etanol de milho. Considerando exclusivamente lenha proveniente de eucalipto, o consumo anual chegaria a 12,2 milhões de toneladas no cenário de menor produção; 12,9 milhões de toneladas no cenário intermediário; e 19,4 milhões de toneladas no cenário de maior produção, associado a volumes de 15,3 bilhões, 16,2 bilhões e 24,4 bilhões de litros de etanol, respectivamente.

Após a visita do líder chinês aos Estados Unidos no fim de setembro, alguns acordos importantes para o comércio internacional foram tratados. Os dois países concordaram em reduzir tarifas sobre cerca de US$ 30 bilhões em mercadorias, em mais uma tentativa de diminuir as tensões comerciais entre as duas maiores economias do mundo.

Madeira em tora e produtos de madeira estão entre alguns itens listados pela China, que incluem outros itens agrícolas, cosméticos e determinados equipamentos médicos. Os Estados Unidos, por sua vez, reduzirão tarifas sobre produtos chineses como pequenos eletrodomésticos, brinquedos, artigos de decoração e cadeirinhas infantis para automóveis.

Outro ponto do acordo é a criação de mecanismos de diálogo sobre inteligência artificial, com os dois países discutindo riscos e possíveis formas de cooperação relacionados à tecnologia. Washington e Pequim também concordaram em manter as negociações sobre o fornecimento de terras raras e outros minerais críticos, considerados estratégicos para cadeias industriais e tecnológicas.

A Smurfit Westrock celebrou um acordo para adquirir o negócio chileno de papel para embalagens e papelão ondulado da CMPC. O valor negociado, de acordo com a Smurfit Westrock, é de US$ 420 milhões.

Em comunicado, a empresa afirmou que acredita ser um negócio altamente complementar às operações já existentes e oferece uma excelente plataforma para a continuação do crescimento ao lado dos clientes na América Latina.

Os ativos estão estrategicamente localizados próximos às principais regiões pesqueiras e agrícolas do Chile. Isto deverá complementar o atual negócio de papelão ondulado, representando para a Smurfit Westrock a oportunidade de adquirir uma das posições de liderança nos segmentos de papel para embalagens e papelão ondulado no Chile.

Uma máquina de papel da empresa, localizada em Santiago, produz aproximadamente 250 mil toneladas por ano. A ideia é que o equipamento fortaleça o sistema regional. Ela permitirá integrar papel reciclado às operações na Argentina, no Peru e no Equador, além de possibilitar o direcionamento de kraftliner do Brasil e da América do Norte aos ativos de papelão ondulado adquiridos no Chile.

Alvaro Henao, CEO da Smurfit Westrock Latam, afirmou: “Em nosso Plano de Médio Prazo anunciado anteriormente, identificamos a América Latina como uma região de crescimento e desenvolvimento, tanto por meio de investimentos internos quanto de aquisições. Estou particularmente satisfeito por termos alcançado este acordo para adquirir operações de classe mundial no Chile, juntamente com uma equipe formidável que esperamos para receber na organização Smurfit Westrock. Isso consolida firmemente a Smurfit Westrock como líder no Chile e fortalece ainda mais nossa presença regional.”

A companhia pretende financiar a transação com seus próprios recursos líquidos. A conclusão está prevista para o primeiro semestre de 2027, sujeita ao cumprimento das condições usuais de fechamento, incluindo aprovações regulatórias.

A Fastmarkets, agência de análises de mercado de commodities, nomeou Cristián Infante, da Arauco, como CEO do Ano na América Latina 2026. O reconhecimento aconteceu no dia 11 de agosto, em São Paulo, durante a conferência anual Fastmarkets Forest Products Latin America.

O título é concedido pelos principais analistas de investimentos e gestores de portfólio especializados no setor florestal da América Latina e levou em consideração o desempenho financeiro da Arauco e a visão estratégica de longo prazo em um cenário global desafiador.

“É uma honra receber o reconhecimento de analistas que conhecem profundamente esta indústria. Mais do que uma conquista, porém, encaro esse reconhecimento como uma responsabilidade: seguir fortalecendo a Arauco no longo prazo e correspondendo à confiança e às expectativas que o mercado deposita em nós”, afirmou Infante.

O Projeto Sucuriú, desenvolvido pela Arauco no Brasil, ocupa lugar de destaque neste reconhecimento, por ser uma iniciativa recebida pelo mercado com notável otimismo. Os analistas consideram que o projeto representa um passo decisivo para consolidar a companhia entre os principais fornecedores mundiais de celulose, reforçando a capacidade da empresa de manter uma expansão sustentada no longo prazo.

O Projeto Sucuriú marca a entrada da divisão de celulose da Arauco no Brasil. O investimento de US$ 4.6 bilhões inclui a construção de uma planta com capacidade de produção de 3,5 milhões de toneladas de fibra curta de celulose/ano. Está localizado em uma área de 3.500 hectares, a 50 quilômetros do centro da cidade de Inocência (MS) e ao lado do rio Sucuriú. A etapa de terraplanagem começou em 2024 e a previsão de entrada em operação é no final de 2027.

O setor florestal brasileiro se despediu de uma grande personalidade. Wilson Galvão Andrade, diretor-executivo da Associação Baiana de Empresas de Base Florestal (ABAF), faleceu em Salvador, no dia 09 de agosto, aos 78 anos. A morte foi comunicada pela entidade em um comunicado oficial, assinado pelo presidente da Abaf, Fernando Branco, que também é executivo da Bracell.

“Prestamos nossa homenagem à sua brilhante trajetória e ao legado deixado para o setor de florestas cultivadas, mas também para as fibras naturais e relações internacionais, áreas nas quais atuou com excelência, liderança e paixão. Sua visão, dedicação e compromisso marcaram a história da nossa entidade e de diversos setores produtivos”, diz um trecho da nota.

Natural de Milagres, no interior da Bahia, Wilson também comandou o Sindicato das Indústrias de Fibras Naturais da Bahia (Sindifibras). Presidiu o Conselho de Comércio Exterior e Relações Internacionais (COMEX) da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB) e a Câmara de Comércio Exterior e Cooperação Internacional da Associação Comercial da Bahia (ACB). Em Brasília, esteve à frente da Câmara Setorial de Fibras Naturais do Ministério da Agricultura (MAPA).

No cenário internacional, Wilson Galvão Andrade teve o título de cônsul honorário emérito da Finlândia para a Bahia e Sergipe e diretor regional Nordeste da Finncham. Também presidiu a International Natural Fiber Organization (INFO-Amsterdam) e, em Roma, integrou e presidiu o Grupo de Fibras Naturais da FAO. Entre 2017 e 2020, esteve à frente do Conselho Consultivo do Fundo Comum de Commodities (CFC), órgão ligado à Organização das Nações Unidas (ONU).

A Smurfit Westrock, uma das maiores fabricantes globais de papel e embalagens, consolidou um investimento de R$ 1 bilhão no Brasil nos últimos dois anos. O montante foi para ampliar a capacidade produtiva, acelerar a inovação e expandir sua participação no mercado nacional.

Segundo o CEO da operação brasileira, Manuel Alcalá, o plano faz parte da estratégia global da companhia, de crescer acima do ritmo do mercado nos próximos anos. “O Brasil é um país para estar e crescer. Se o mercado crescer um determinado percentual, nosso objetivo é crescer ainda mais”, afirmou o executivo em entrevista à CNN Brasil.

De acordo com a reportagem, o aporte será direcionado principalmente à expansão da capacidade fabril, automação industrial, inteligência artificial e desenvolvimento de novas soluções. Segundo Alcalá, o objetivo é aumentar a eficiência operacional e garantir maior confiabilidade no atendimento em um cenário de cadeias globais mais voláteis.

“O investimento busca aumentar nossa capacidade, mas também melhorar a confiabilidade para os clientes. O mundo vive um período de muitas incertezas e aumento de custos, então precisamos estar preparados para continuar fornecendo embalagens para produtos essenciais”, disse.

A empresa nasceu da fusão entre a Smurfit Kappa e a WestRock, concluída em 2024, e está presente em cerca de 40 países, com aproximadamente 500 unidades industriais. Globalmente, produz cerca de 21 milhões de toneladas de papel por ano, volume semelhante ao de toda a produção da Europa Ocidental.

Em 2025, a Smurfit Westrock registrou lucro líquido de US$ 699 milhões sobre receita de US$ 31,1 bilhões. O Ebitda ajustado atingiu US$ 4,9 bilhões, impulsionado pelo fortalecimento da atividade industrial e pela escala global da companhia.

“As embalagens produzidas no Brasil são destinadas exclusivamente ao mercado brasileiro. Muitos dos nossos clientes, especialmente do agronegócio, exportam seus produtos, como carnes e frutas. Assim, nossas embalagens acabam chegando ao exterior junto com esses produtos”, explicou.

A expedição de papelão ondulado no Brasil alcançou 358.786 toneladas em abril de 2026, volume recorde para o mês desde o início da série histórica do Índice Brasileiro de Papelão Ondulado (IBPO), elaborado pela Empapel (Associação Brasileira de Embalagens em Papel) em parceria com a FGV. O resultado representa crescimento de 5,5% em relação a abril de 2025 e supera a marca anterior registrada em 2024.

O avanço reforça a relevância do papelão ondulado como um dos principais indicadores da atividade econômica brasileira. Presente em praticamente todas as cadeias produtivas, o material acompanha o desempenho de setores como produtos alimentícios, cosméticos, higiene, farmacêuticos, comércio eletrônico, entre outros, refletindo a movimentação da economia real.

Por dia útil, o volume expedido atingiu 14.949 toneladas, também com alta de 5,5% na comparação anual. Como abril de 2026 teve o mesmo número de dias úteis de abril de 2025, o crescimento reflete efetivamente o aumento da demanda por embalagens de papel no período.

O desempenho observado em abril reflete a continuidade da demanda por embalagens de papel em diferentes segmentos da economia. Por estar diretamente ligado ao transporte, armazenamento e comercialização de produtos, o papelão ondulado funciona como um importante termômetro da atividade econômica, capturando movimentos da produção industrial, do consumo e da logística em todo o país.